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Bombardeios de Israel destroem 129 unidades de saúde no Líbano em 45 dias

Ataques destruíram hospitais, ambulâncias e moradias; mais de 1,2 milhão de pessoas foram deslocadas

17/04/2026 às 19:36
Por: Redação

Entre o início de março e meados de abril, ataques aéreos realizados por forças israelenses provocaram danos em 129 instalações de atendimento médico no Líbano. O Ministério da Saúde libanês divulgou que, neste período de 45 dias de conflito, 100 profissionais que atuavam nos serviços de saúde foram mortos e outros 233 ficaram feridos durante os bombardeios.

 

Além dos alvos em hospitais e postos de saúde, o relatório oficial aponta que 116 ambulâncias foram atingidas por bombas e seis hospitais precisaram encerrar as atividades devido à magnitude das destruições. A consequência desses ataques, segundo o escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas (Ocha), compromete severamente o acesso da população aos serviços médicos.

 

“Esses incidentes constituem uma grave violação do direito internacional humanitário e comprometem seriamente o acesso da população aos serviços de saúde”, destacou o comunicado do Ocha divulgado no Líbano.


 

O direito internacional classifica ações contra infraestruturas civis e de saúde como crimes de guerra. Mesmo assim, Israel justificou os ataques alegando que algumas dessas unidades médicas eram utilizadas pelo grupo Hezbollah para fins militares. Essa afirmativa é contestada por organizações que atuam na defesa dos direitos humanos.

 

Em outro episódio, autoridades israelenses emitiram avisos para evacuação de dois hospitais localizados em Beirute, o que gerou preocupação na Organização Mundial da Saúde.

 

Segundo dados do Ministério da Saúde do Líbano, entre o início dos bombardeios e o dia 17 de abril, pelo menos 2.294 pessoas morreram e 7.500 ficaram feridas, incluindo 177 crianças mortas e 704 crianças feridas, de acordo com o balanço provisório das autoridades sanitárias do país.

 

Durante o mesmo período, estima-se ainda que pelo menos sete jornalistas foram alvo de ataques israelenses em território libanês.

 

O Conselho Nacional de Pesquisa Científica do Líbano (CNRS) apurou que aproximadamente 37.800 moradias foram destruídas até 12 de abril, quatro dias antes do início do cessar-fogo. A maioria das casas arrasadas estava localizada em bairros periféricos de Beirute.

 

De acordo com o CNRS, essa quantidade de domicílios representa em torno de 16% de todos os danos habitacionais registrados nas fases anteriores da guerra. O órgão destacou que houve uma intensificação rápida da destruição, com grande parte dos estragos acumulados ocorrendo em um intervalo curto de tempo.

 

No primeiro dia do cessar-fogo com o Irã, Israel lançou um ataque em grande escala sobre o Líbano, concentrando as ações especialmente nos subúrbios de Beirute e em áreas centrais da capital, o que resultou na morte de mais de 300 pessoas em aproximadamente dez minutos de bombardeios.

 

O jornalista e analista em geopolítica Anwar Assi afirmou conhecer as regiões atingidas na capital libanesa e declarou:

 

“Essa área é 100% civil. Mesmo os escritórios do Hezbollah são escritórios civis. Ou seja, pela lei internacional, não podem ser atacados. O subúrbio de Beirute não é uma área militarizada. Não tinha porquê bombardear aquelas áreas”.


 

Anwar Assi, que possui familiares na região, disse ainda que as alegações israelenses sobre a existência de foguetes nesses bairros não correspondem à realidade.

 

“Isso dá para ver pelos prédios destruídos, que lá não tinha foguete. O único motivo dos ataques foi para forçar o deslocamento dos moradores e criar uma pressão em cima da sociedade libanesa”.


 

Segundo dados do Ocha, mais de 1,2 milhão de pessoas tiveram que deixar suas casas devido a ordens de deslocamento em massa, atingindo cerca de 15% do território libanês.

 

De acordo com o especialista, a intenção de Tel Aviv seria provocar o deslocamento de milhares de civis para pressionar a população contra o Hezbollah. Contudo, de acordo com Assi, esse objetivo não foi atingido, pois a maioria da sociedade mantém apoio à resistência e, mesmo entre os críticos do Hezbollah, não há adesão à ideia de um conflito civil contra o grupo.

 

O presidente do Parlamento do Líbano, Nabih Berri, afirmou em pronunciamento recente que a coesão nacional e a manutenção da paz civil são consideradas limites intransponíveis e advertiu que qualquer tentativa de enfraquecê-las atende aos interesses de Israel.

 

Israel declara que os ataques têm como alvo infraestruturas militares pertencentes ao Hezbollah e acusa o grupo de utilizar instalações civis para operações militares, alegação que é negada pela organização xiita.

 

Deslocamentos e destruição no sul libanês

 

Segundo o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, a operação militar no sul do Líbano visa criar uma faixa desabitada até o Rio Litani, região situada a aproximadamente 30 quilômetros da fronteira entre Israel e Líbano.

 

No dia 16 de abril, Netanyahu comunicou que o objetivo era tomar o controle da cidade de Bent Jbeil, onde residem cerca de 30 mil pessoas.

 

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou em março que a população civil que fugiu do sul do Líbano não teria permissão para retornar às áreas localizadas ao sul do Rio Litani.

 

O deslocamento forçado de civis é considerado outra violação grave do direito internacional e caracteriza crime de guerra.

 

Na véspera do cessar-fogo, Israel destruiu a última ponte sobre o Rio Litani, a Ponte de Qasmiyeh, cortando o acesso da região sul ao restante do país e interrompendo a ligação entre as cidades de Tiro e Sidon. Como resposta, uma ponte provisória foi construída para viabilizar o retorno dos moradores.

 

Hussein Melhem, brasileiro naturalizado libanês que residia na cidade de Tiro com a família, precisou deixar sua casa após o início desta fase do conflito, em 2 de março. Ele se refugiou na região metropolitana de Beirute e, até o momento, não sabe quando poderá retornar à cidade de origem.

 

“Quero voltar esta semana, mas tem que diminuir a fila um pouco porque está uma luta para voltar ao sul, tem muita gente”, afirmou Melhem, acrescentando que ainda não se sente seguro quanto à estabilidade da trégua.


 

O especialista Anwar Assi explicou que, em sua análise, as ações de Israel no sul libanês caracterizam uma limpeza étnica, destinada a expulsar a população local e ocupar os territórios. Ele argumentou que a destruição de escolas, hospitais, prédios públicos e outras estruturas essenciais visou impedir que os civis pudessem retornar às suas cidades com algum suporte, tornando inviável a vida cotidiana nas áreas atingidas.

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