A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG) divulgaram uma nota conjunta esta semana, evidenciando que o falecimento de um cinegrafista e uma repórter da Band em Minas Gerais realça os perigos decorrentes do acúmulo de funções e da precarização no setor jornalístico.
O acidente, ocorrido na última quarta-feira, dia 15, na rodovia BR-381, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, vitimou o repórter cinematográfico Rodrigo Lapa e a repórter Alice Ribeiro. Eles estavam retornando de uma pauta jornalística quando o carro sofreu o sinistro.
As entidades classificaram como acúmulo e desvio de função o fato de o próprio cinegrafista, Rodrigo Lapa, estar dirigindo o veículo. Rodrigo Lapa morreu no local do acidente, enquanto Alice Ribeiro teve a morte cerebral confirmada na quinta-feira, dia 16. A jornalista era mãe de um bebê de 9 meses.
Profissionais responsáveis pela captação de imagens jornalísticas vêm sendo sobrecarregados com tarefas que não lhes cabem, como a condução de veículos, o que amplia significativamente os riscos, especialmente em rodovias perigosas e em jornadas exaustivas.
Apesar de manifestarem profundo pesar pelas perdas e de prestarem solidariedade aos familiares, amigos e colegas de trabalho, a Fenaj e o SJPMG enfatizaram que o trágico evento serve como um alerta urgente para as atuais condições de trabalho na área.
Na nota, as entidades ressaltaram que, embora as causas exatas do acidente estejam sob investigação, a situação expõe a constante vulnerabilidade e o risco enfrentado pelos profissionais de jornalismo. Essa condição é agravada pela redução das equipes e pela imposição de múltiplas funções.
A Federação e o Sindicato de Jornalistas demandam uma atuação enérgica do Ministério Público do Trabalho (MPT) para investigar as condições de emprego nas empresas de comunicação. Adicionalmente, exigem a implementação de medidas que assegurem equipes completas e um ambiente de trabalho seguro para o exercício da atividade jornalística.
“A defesa do jornalismo passa, necessariamente, pela valorização e proteção de quem o exerce”, conclui a nota.
A Band foi procurada para comentar as críticas das entidades, mas até o momento não se manifestou. O espaço permanece aberto para qualquer pronunciamento da empresa.