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Trump negocia trégua de dez dias entre Israel e Líbano

EUA intermedeiam acordo para trégua de dez dias; governo libanês e Hezbollah reagem ao anúncio

17/04/2026 às 03:43
Por: Redação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (16) ter intermediado um cessar-fogo de dez dias entre Israel e Líbano, com início previsto para a noite do mesmo dia. O acordo, segundo Trump, foi resultado de conversas com o presidente libanês Joseph Aoun e com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

 

Trump declarou ter mantido diálogos considerados excelentes com o presidente do Líbano e com o primeiro-ministro de Israel, que, segundo ele, concordaram em iniciar formalmente a trégua a partir das 17h, no horário de Brasília.

 

“Acabei de ter excelentes conversas com o altamente respeitado presidente Joseph Aoun, do Líbano, e com o primeiro-ministro Bibi [Benjamin] Netanyahu, de Israel. Esses dois líderes concordaram que, para alcançar a paz entre seus países, iniciarão formalmente um cessar-fogo de 10 dias às 17h [horário de Brasília]”, disse Trump em uma rede social.


 

O chefe da Casa Branca acrescentou que ambos os lados desejam alcançar a paz e acredita que isso acontecerá em breve. A trégua, segundo o anúncio, era uma das condições apresentadas pelo Irã para dar seguimento às negociações com os Estados Unidos, que preveem uma nova rodada de conversas nos próximos dias.

 

Ibrahim al-Musawi, parlamentar do Hezbollah, declarou à agência francesa AFP que o grupo irá cumprir o acordo desde que os ataques de Israel sejam interrompidos. Até o momento, não houve manifestação oficial do governo de Tel Aviv.

 

Apesar de o anúncio envolver o governo libanês, o Hezbollah atua como partido-milícia vinculado ao chamado Eixo da Resistência, composto por grupos que se opõem às políticas dos Estados Unidos e de Israel no Oriente Médio, incluindo o Irã. O governo libanês não possui controle sobre as ações do Hezbollah.

 

Em comunicado, o presidente Joseph Aoun registrou agradecimento a Trump pelos esforços que resultaram no cessar-fogo no Líbano, destacando a importância de garantir uma paz permanente e expressando o desejo de continuidade dos esforços para uma solução definitiva.

 

O primeiro-ministro Nawaf Salam, também do Líbano, utilizou as redes sociais para elogiar o anúncio de Trump.

 

“Acolho com satisfação o anúncio do cessar-fogo proclamado pelo presidente Trump, que constitui uma reivindicação libanesa central pela qual nos empenhamos desde o primeiro dia da guerra e que foi o nosso objetivo primordial no encontro de Washington na terça-feira”, afirmou Salam.


 

Representantes de Israel e do Líbano estiveram reunidos em Washington nesta semana, marcando o primeiro encontro bilateral desde 1983, ano em que Israel realizou sua primeira invasão ao território libanês.

 

Não houve manifestação pública do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu sobre o acordo anunciado. De acordo com o jornal israelense The Times of Israel, ministros do gabinete do governo teriam recebido a notícia com surpresa. Netanyahu teria informado à equipe que aceitou a trégua a pedido de Trump, enquanto membros da oposição israelense criticaram o que classificaram como um cessar-fogo "imposto" ao país.

 

Segundo o portal israelense Ynet, um oficial militar do país afirmou que as tropas israelenses permaneceriam em território libanês mesmo com o início do cessar-fogo.

 

Conflito recente e demandas regionais

 

A fase atual da guerra entre Israel e Líbano teve início em outubro de 2023, quando o Hezbollah lançou ataques ao norte de Israel em apoio à população palestina diante dos bombardeios em Gaza. Em novembro de 2024, um acordo de trégua entre o grupo político-militar xiita e Tel Aviv chegou a ser firmado, mas não foi respeitado por Israel, que prosseguiu com operações militares em solo libanês.

 

Após o início das ofensivas contra o Irã em 28 de fevereiro, o Hezbollah retomou os ataques contra Israel, justificando a medida como resposta às violações sistemáticas do cessar-fogo e como retaliação ao assassinato do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.

 

No dia 8 de abril, chegou-se a anunciar o cessar-fogo da guerra no Irã, contudo, as ações militares israelenses no Líbano continuaram, em descumprimento ao novo acordo, negociado pelo Paquistão.

 

O Irã vinha exigindo a adesão do Líbano ao cessar-fogo como condição para o avanço das negociações com os Estados Unidos, que têm uma segunda rodada de conversas programada para breve.

 

Histórico das tensões entre Israel e Hezbollah

 

O Hezbollah, milícia xiita que posteriormente se tornou partido político, surgiu na década de 1980 em resposta à invasão e ocupação israelense no Líbano, que tinha por objetivo capturar grupos palestinos refugiados no país vizinho.

 

No ano 2000, o Hezbollah obteve êxito ao forçar a retirada das forças israelenses do território libanês. Ao longo dos anos seguintes, o grupo entrou para o parlamento libanês e passou a integrar a administração do país.

 

O Líbano também foi alvo de ofensivas militares israelenses nos anos de 2006, 2009 e 2011.

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