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Papa Leão XIV denuncia tirania e gastos bilionários em guerras

Pontífice condena uso de religião para justificar conflitos e diz que bilhões são desperdiçados em destruição

16/04/2026 às 16:27
Por: Redação

Durante compromisso realizado em Camarões nesta quinta-feira, 16, o papa Leão XIV fez críticas a líderes mundiais que destinam grandes quantias financeiras a conflitos militares, declarando que o planeta está "sendo devastado por alguns tiranos". A manifestação do pontífice ocorreu pouco após novas investidas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra ele por meio das redes sociais.

 

Leão XIV, que é o primeiro papa de nacionalidade norte-americana, também desaprovou a postura de governantes que recorrem a discursos religiosos para legitimar guerras, defendendo a necessidade de uma "mudança decisiva de rumo". As declarações foram feitas durante sua participação em evento realizado na maior cidade das regiões anglófonas de Camarões, local marcado por um conflito prolongado, com duração próxima a uma década, e que já resultou em milhares de mortes.

 

"Os mestres da guerra fingem não saber que é preciso apenas um momento para destruir, mas muitas vezes uma vida inteira não é suficiente para reconstruir", disse o pontífice.


 

Durante sua fala, Leão XIV criticou a ausência de recursos para áreas como saúde, educação e reconstrução, em contraste com os elevados valores destinados à destruição. Ele ressaltou que bilhões de dólares são investidos em projetos de morte e devastação, enquanto não se encontram fundos para promover cura, formação e restauração.

 

Os ataques de Donald Trump ao papa tiveram início no domingo, 12, com uma publicação no Truth Social na qual o presidente dos Estados Unidos o qualificou como "fraco sobre crime e péssimo para a política externa". Essas declarações foram retomadas por Trump na terça-feira, 14, e na quarta-feira, 15, intensificando o embate nas plataformas digitais. Em uma das publicações, Trump divulgou uma imagem de Jesus o abraçando, sucedendo outra postagem em que se retratava como figura semelhante a Jesus, o que provocou reações negativas de diversos setores.

 

As críticas de Trump ocorrem em meio à turnê de Leão XIV por quatro países africanos, o que gerou apreensão em uma região onde reside mais de um quinto dos católicos do mundo. O papa manteve postura relativamente discreta durante a maior parte do seu primeiro ano à frente da Igreja, que possui 1,4 bilhão de fiéis, mas recentemente passou a se posicionar publicamente contra conflitos iniciados por ações militares de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.

 

Em discurso realizado no mês anterior, Leão XIV já havia se manifestado contra líderes religiosos e políticos, afirmando que Deus rejeita as preces daqueles cujas "mãos estão cheias de sangue". Esse comentário foi amplamente interpretado como uma alusão ao secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, que utilizou linguagem cristã para justificar a guerra contra o Irã.

 

Na visita a Camarões, o papa voltou a se opor a governantes que manipulam princípios religiosos para sustentar interesses militares, econômicos e políticos próprios.

 

"Ai daqueles que manipulam a religião e o próprio nome de Deus para seu próprio ganho militar, econômico e político, arrastando o que é sagrado para a escuridão e a sujeira", afirmou.


 

Leão XIV acrescentou que o mundo vive uma inversão de valores, caracterizando-se por uma exploração da criação divina que, segundo ele, deve ser rejeitada e denunciada por toda consciência honesta.

 

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