LogoMacapa Notícias

Lula critica postura dos EUA e condena ameaças de Trump ao Irã

Presidente brasileiro defende respeito à soberania e critica intervenções dos EUA no Irã, Cuba e Venezuela

17/04/2026 às 01:31
Por: Redação

Durante entrevista exclusiva ao jornal espanhol El País, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas à política externa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao Irã, a Cuba e à Venezuela, destacando que, em sua visão, nenhum país tem legitimidade para ameaçar outros Estados com os quais discorda.

 

Ao abordar as recentes ameaças feitas por Trump contra o Irã, Lula afirmou que o presidente norte-americano não possui autorização para agir dessa forma. Ele ressaltou que tal conduta não encontra respaldo nem na Constituição dos Estados Unidos, nem na carta das Nações Unidas.

 

“O Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país. Não tem direito. Ele não foi eleito para isso. O mundo não lhe dá direito disso. A Constituição americana não garante isso. E muito menos a carta da ONU [Nações Unidas]”, afirmou Lula.


 

Lula também comentou sobre o episódio da semana anterior, quando Trump ameaçou o Irã de genocídio caso o país rejeitasse as condições impostas pelos Estados Unidos para encerrar o conflito no Oriente Médio. Além disso, o presidente brasileiro criticou as intervenções e ameaças direcionadas pelo governo norte-americano a Cuba e à Venezuela.

 

“Nenhum país tem direito de ferir a integridade territorial de outro país. Nenhum país tem o direito de não respeitar a soberania dos outros países”, completou.


 

No entendimento de Lula, o mundo necessita de lideranças comprometidas com a responsabilidade global e que compreendam que o planeta não pertence a uma única nação. O presidente declarou que, apesar de um país ter importância, é fundamental que as maiores potências atuem com responsabilidade para promover a paz mundial.

 

Riscos de conflito global e preocupações com a guerra

 

Lula abordou ainda a possibilidade de uma terceira guerra mundial, levantando preocupações quanto às consequências trágicas que um novo conflito dessa magnitude poderia trazer, considerando as políticas intervencionistas adotadas por Trump.

 

“Uma terceira guerra mundial será uma tragédia dez vezes mais potente do que foi a tragédia da Segunda Guerra Mundial”, disse.


 

Questionado sobre a real chance de um novo conflito global, Lula respondeu que, caso a postura intervencionista persista, o cenário de guerra mundial pode se concretizar.

 

“Se continuarem achando que podem levantar de manhã e atirar contra qualquer um, ela pode acontecer”.


 

Posicionamento sobre Cuba e bloqueio econômico

 

Lula criticou o bloqueio econômico imposto a Cuba, sobretudo o fortalecimento do bloqueio energético, lembrando que o embargo já se estende por cerca de sete décadas. Para o presidente, a situação enfrentada pelo país caribenho é injustificável, especialmente para uma nação que, segundo ele, é considerada "preciosa" para o Brasil.

 

No comparativo, Lula questionou o motivo de não haver preocupação internacional semelhante em relação ao Haiti, país que vive crise econômica e social há décadas, com a presença de gangues armadas em grande parte da capital Porto Príncipe.

 

O presidente ressaltou que Cuba precisa de oportunidades para avançar em sua situação interna e questionou como um país pode sobreviver diante de restrições que impedem o recebimento de alimentos, combustíveis e energia.

 

Venezuela e eleições de julho de 2024

 

No tocante à Venezuela, Lula pontuou que a orientação do governo brasileiro é de que as eleições previstas para julho de 2024 sejam realizadas e que o resultado do pleito seja respeitado. A intenção, segundo o presidente, é que o país vizinho retome a paz.

 

Lula destacou ainda que não cabe aos Estados Unidos administrar a Venezuela, reafirmando a defesa da soberania dos povos.

 

Debate sobre taxação de exportações brasileiras

 

Sobre a política de taxação adotada pelos Estados Unidos contra parte das exportações do Brasil, entre abril e agosto de 2025, Lula recordou o diálogo mantido com Trump em encontro bilateral. O presidente brasileiro disse que nunca pediu para Trump concordar ideologicamente com ele, do mesmo modo que não compartilha das ideias do líder norte-americano. Segundo Lula, o papel dos chefes de Estado é pensar nos interesses nacionais de cada país na relação bilateral.

 

Após negociações entre os governos brasileiro e americano em novembro de 2025, os Estados Unidos decidiram retirar a tarifa de 40% sobre diversos produtos brasileiros, como café e carne. Em fevereiro do ano seguinte, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou o aumento tarifário aplicado por Trump a dezenas de países, atendendo a reivindicações de empresas americanas afetadas pelas medidas.

© Copyright 2025 - Macapa Notícias - Todos os direitos reservados