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Dourados declara calamidade e inicia vacinação contra chikungunya

Município enfrenta alta de casos, com mais de 6 mil notificações e fila de internações. Campanha começa dia 27.

22/04/2026 às 16:33
Por: Redação

A prefeitura de Dourados, localizada no Mato Grosso do Sul, decretou situação de calamidade em saúde pública em razão do aumento expressivo dos casos de chikungunya no município, que antes estavam concentrados na Reserva Indígena de Dourados, mas atualmente também são identificados em diferentes bairros urbanos.

 

No dia 20 de março, já havia sido publicado um decreto municipal declarando situação de emergência em saúde pública. Uma semana após essa medida, outro decreto foi editado, desta vez estabelecendo emergência em defesa civil nas áreas atingidas pela doença.

 

O mais recente decreto, válido por 90 dias, segue as diretrizes do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), órgão criado para organizar as ações de resposta tanto na reserva indígena quanto na área urbana de Dourados.

 

O município enfrenta um cenário considerado crítico do ponto de vista epidemiológico, com mais de 6.186 notificações de casos prováveis de chikungunya e uma taxa de positividade de 64,9%. Dados do Departamento de Gestão do Complexo Regulador do município indicam que a capacidade instalada de atendimento foi ultrapassada, com ocupação de leitos de internação atingindo 110%, o que resulta em impossibilidade de atendimento oportuno até mesmo para quadros graves.

 

Campanha de vacinação será iniciada

A vacinação contra a chikungunya terá início em Dourados a partir da próxima segunda-feira, dia 27. As primeiras doses já chegaram à cidade na noite de sexta-feira, dia 17.

 

Nos dias 22 e 23 deste mês, a prefeitura realizará treinamentos junto aos profissionais de enfermagem com o objetivo de orientá-los sobre as restrições da vacina e capacitá-los para identificar possíveis comorbidades antes da administração da dose na população.

 

De acordo com as normas do Ministério da Saúde, a imunização está autorizada apenas para pessoas entre 18 e 59 anos. O objetivo é alcançar ao menos 27% desse público, o que corresponde a aproximadamente 43 mil habitantes.

 

Existem restrições para aplicação da vacina. Não poderão receber a dose:

 

  • Pessoas grávidas ou em período de amamentação;
  • Usuários de medicamentos imunossupressores, como corticóides em doses elevadas;
  • Portadores de imunodeficiência congênita;
  • Pacientes em tratamento oncológico com uso de quimioterapia e radioterapia;
  • Transplantados de órgão sólido;
  • Pessoas que passaram por transplante de medula óssea há menos de dois anos;
  • Portadores de HIV/aids;
  • Pessoas diagnosticadas com doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatóide;
  • Indivíduos com pelo menos duas condições crônicas, entre as quais diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmia cardíaca, doenças pulmonares crônicas, doenças renais crônicas, obesidade, doenças hepáticas crônicas e câncer (em tratamento ou remissão).

 

Além dessas situações, também estão impedidos de receber a vacina aqueles que tiveram chikungunya nos últimos 30 dias; que estejam apresentando febre de origem grave; que tenham recebido outro imunizante de vírus atenuado nos 28 dias anteriores ou de vírus inativado nos 14 dias que antecedem a aplicação.

 

O processo de imunização deverá ser mais demorado, pois todos os integrantes do público-alvo deverão passar por avaliação individual com um profissional de saúde antes de serem vacinados. Na sexta-feira, dia 24, as vacinas serão enviadas para todas as salas de vacinação do município, incluindo aquelas localizadas nas unidades de saúde indígena.

 

Está previsto ainda um mutirão no formato drive-thru para imunização no feriado do Dia do Trabalho, 1º de maio, das 8h às 12h, no pátio da prefeitura de Dourados.

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o imunizante contra a chikungunya em abril de 2025. A estratégia de vacinação contempla regiões com risco elevado de transmissão, abrangendo cerca de 20 municípios distribuídos em seis estados do país.

 

“A seleção dos municípios considerou desde fatores epidemiológicos, relacionados à potencial ocorrência de casos de chikungunya em regiões onde o vírus já está circulando, até o tamanho populacional dos municípios e a facilidade operacional de se implementar uma nova vacina no sistema local de saúde em um curto prazo”, informou a prefeitura.


 

Quadro epidemiológico e óbitos

Até segunda-feira, 20 de maio, Dourados contabilizava 4.972 notificações consideradas prováveis da enfermidade, sendo 2.074 confirmadas laboratorialmente, 1.212 descartadas e 2.900 ainda em investigação. Oito mortes por complicações de chikungunya foram confirmadas, das quais sete ocorreram entre moradores da reserva indígena.

 

Recursos federais destinados ao município

No final de março, o Ministério da Saúde anunciou o repasse emergencial de 900 mil reais para ações de combate à chikungunya em Dourados, incluindo vigilância, assistência e controle da doença. O valor será transferido em parcela única do Fundo Nacional de Saúde para o fundo municipal.

 

O recurso, segundo o ministério, deve ser empregado na intensificação de estratégias de vigilância em saúde, ações de controle do mosquito Aedes aegypti, aprimoramento do atendimento e suporte às equipes de saúde diretamente envolvidas na assistência à população.

 

Características da doença

A chikungunya é uma arbovirose cuja transmissão ocorre por meio da picada de fêmeas infectadas do gênero Aedes, sendo que, no Brasil, apenas o Aedes aegypti está envolvido na disseminação da enfermidade.

 

O vírus foi introduzido no continente americano em 2013, ocasionando epidemias em diversos países da América Central e nas ilhas caribenhas. No segundo semestre de 2014, a presença do vírus foi confirmada em território brasileiro, nos estados do Amapá e da Bahia, por meio de exames laboratoriais. Atualmente, todas as unidades federativas do país apresentam registros de transmissão do arbovírus.

 

Em 2023, o Ministério da Saúde destacou significativa expansão territorial da doença, especialmente nos estados da Região Sudeste. Anteriormente, a maior incidência de chikungunya era observada no Nordeste.

 

Entre as manifestações clínicas mais comuns da infecção estão o edema e a dor articular de caráter incapacitante, podendo ocorrer também sintomas extra-articulares. Em casos mais graves, pode haver necessidade de internação hospitalar e risco de morte.

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