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Fiocruz aponta alta de casos e risco para vírus sincicial respiratório

Fundação aponta risco elevado de síndromes gripais graves em 18 estados e no DF

16/04/2026 às 16:29
Por: Redação

Relatório recente divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indica que 18 estados do Brasil, além do Distrito Federal, estão sob alerta para a ocorrência de quadros graves relacionados a síndromes gripais. Dentre essas unidades federativas, 13 apresentam previsão de crescimento nas notificações dessas enfermidades nas próximas semanas.

 

Segundo as informações coletadas entre 29 de março e 4 de abril, a análise dos casos positivos apontou prevalência de 40,8% para rinovírus, responsável pela maior parte das ocorrências de resfriado comum, 30,7% relativos ao vírus Influenza A, e 19,9% para o vírus sincicial respiratório (VSR). Este último, conhecido por afetar principalmente recém-nascidos ao acometer o sistema respiratório e os pulmões, também tem gerado preocupação para pessoas idosas.

 

O Ministério da Saúde esclarece que o VSR pode infectar indivíduos de todas as faixas etárias, apresentando impacto significativo em bebês, idosos e pessoas que tenham condições médicas capazes de comprometer o funcionamento do sistema imunológico.

 

No Brasil e internacionalmente, as ocorrências de infecções por esse vírus tendem a aumentar em determinados períodos do ano, podendo provocar desde sintomas leves até desenvolver quadros de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) que exigem atendimento hospitalar.

 

“O VSR é altamente contagioso e infecta o trato respiratório. É uma das principais causas de bronquiolite viral aguda em crianças menores de 2 anos e pode ser responsável por um número expressivo de internações”, alertou a pasta.


 

No início da semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a ampliação do uso da vacina Arexvy, produzida pela Glaxosmithkline Brasil Ltda, para adultos a partir dos 18 anos. Este imunizante, disponível na rede privada, tem indicação para a prevenção de doenças no trato respiratório inferior decorrentes da infecção pelo VSR.

 

A vacina Arexvy, aprovada para uso no Brasil desde 2023, inicialmente era destinada apenas a pessoas com idade igual ou superior a 60 anos.

 

“O vírus sincicial respiratório é importante agente etiológico de infecções respiratórias ao longo de toda a vida, podendo causar doenças do trato respiratório inferior, com impacto clínico relevante em adultos, especialmente na presença de comorbidades, além de representar risco aumentado de hospitalização e complicações respiratórias em faixas etárias mais avançadas”, avaliou a Anvisa.


 

A decisão de ampliar a indicação da vacina Arexvy para adultos a partir de 18 anos foi fundamentada em estudos clínicos adicionais de imunogenicidade comparativa, que demonstraram resposta imune não inferior em adultos mais jovens em comparação àqueles com mais de 60 anos, segundo a agência reguladora.

 

Formas de contágio

O vírus sincicial respiratório é transmitido prioritariamente por gotículas provenientes das vias respiratórias, assim como pelo contato direto com secreções contaminadas. Isso pode ocorrer ao tocar objetos ou superfícies com presença do vírus e, em seguida, levar as mãos aos olhos, nariz ou boca.

 

A contaminação pode acontecer quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou fala, pelo contato próximo entre indivíduos, além do toque em mãos ou superfícies que estejam contaminadas.

 

Principais manifestações clínicas

Os sinais e sintomas decorrentes da infecção pelo VSR tendem a ser semelhantes aos de um resfriado comum, mas podem progredir para quadros graves, especialmente em crianças menores de dois anos. Entre os sintomas mais frequentes encontram-se coriza, tosse, espirros, febre, congestão nasal e chiado no peito.

 

Nos casos de maior gravidade, podem ser observados respiração acelerada ou dificuldade respiratória, redução do apetite ou dificuldade para se alimentar, cianose (coloração arroxeada ou azulada em pele, lábios ou extremidades) e alteração do estado mental, como irritabilidade ou sonolência.

 

Em bebês, conforme destaca o Ministério da Saúde, o VSR pode desencadear bronquiolite viral aguda, que é caracterizada pela inflamação dos brônquios de menor calibre nos pulmões.

 

Grupos mais suscetíveis

Determinados segmentos da população têm risco aumentado para o desenvolvimento de formas graves da doença causada pelo VSR:

 

- Crianças com menos de dois anos, especialmente aquelas com menos de seis meses de idade;

 

- Recém-nascidos prematuros;

 

- Crianças que apresentam doenças crônicas cardíacas ou pulmonares;

 

- Crianças com condições neurológicas, síndrome de Down ou anomalias nas vias aéreas;

 

- Idosos;

 

- Indivíduos com comprometimento do sistema imunológico.

 

Métodos de diagnóstico

O diagnóstico da infecção por VSR, na maioria das situações, é feito a partir da análise clínica dos sintomas e do histórico do paciente. Em internações com quadros graves, podem ser solicitados exames laboratoriais de biologia molecular, como o RT-PCR em tempo real, para detecção do vírus em amostras do trato respiratório.

 

Manejo terapêutico

De acordo com o Ministério da Saúde, não há medicamento específico para eliminação do vírus sincicial respiratório. O tratamento baseia-se em medidas de suporte, adequadas à gravidade do quadro apresentado pelo paciente.

 

Entre as ações adotadas no manejo clínico, estão a hidratação adequada, o controle da febre, a realização de lavagem nasal e, nos casos mais graves, a internação para administração de oxigênio suplementar.

 

Cuidados preventivos

A pasta enfatiza que algumas ações simples podem ajudar a prevenir infecções e a propagação do vírus sincicial respiratório, tais como:

 

- Lavar as mãos frequentemente com água e sabão;

 

- Evitar aproximação de pessoas com sintomas de gripe ou resfriado;

 

- Higienizar e desinfetar objetos e superfícies de uso comum;

 

- Reduzir a exposição a aglomerações, sobretudo para bebês e idosos;

 

- Manter os ambientes arejados.

 

Além disso, recomenda-se manter em dia a vacinação e as consultas regulares, estimular o aleitamento materno sempre que possível e evitar que bebês sejam expostos à fumaça de cigarro.

 

Imunização em gestantes

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza dose única de vacina contra o VSR para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez, com o objetivo de proteger os recém-nascidos durante os primeiros meses de vida. Os anticorpos produzidos pela gestante após a vacinação são transferidos para o bebê por meio da placenta, conferindo imunidade passiva e contribuindo para a diminuição de quadros graves e hospitalizações por infecção pelo VSR nos primeiros seis meses de vida.

 

Proteção de bebês e novos medicamentos

Crianças pequenas, especialmente prematuras e com comorbidades, podem receber anticorpos monoclonais prontos contra o VSR via SUS. O palivizumabe é administrado por meio de injeção mensal durante o período do ano de maior circulação viral, de acordo com critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde. No momento, esse medicamento está em fase de substituição pelo nirsevimabe.

 

O nirsevimabe foi desenvolvido com a finalidade de proteger bebês por um período prolongado, sendo necessária apenas uma aplicação para assegurar proteção ao longo de toda a estação de maior incidência do vírus. A vantagem deste novo imunizante é o tempo de proteção ampliado, eliminando a necessidade de múltiplas doses mensais.

 

“No SUS, o nirsevimabe será oferecido para bebês prematuros e crianças com algumas condições de saúde específicas, que têm maior risco de desenvolver formas graves da doença causada pelo VSR, nascidos a partir de fevereiro de 2026”, informou a pasta.


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