LogoMacapa Notícias

Acionistas do BRB autorizam aumento de capital de até 8,81 bilhões de reais

Assembleia autoriza emissão de ações para elevar capital social e busca reverter crise após prejuízo bilionário com ativos do Banco Master

22/04/2026 às 18:03
Por: Redação

Em assembleia geral extraordinária realizada nesta quarta-feira, os acionistas do Banco de Brasília (BRB) aprovaram a proposta que permite à instituição, cujo principal acionista é o Governo do Distrito Federal, responsável por 53,7% das ações, ampliar seu capital por meio da emissão de ações ordinárias e preferenciais até o valor máximo de 8,81 bilhões de reais.

 

Segundo a deliberação, cada ação será ofertada no mercado ao preço de 5,36 reais, em subscrição privada. Com essa medida, o capital social do BRB, que atualmente soma 2,344 bilhões de reais, poderá alcançar no mínimo 2,88 bilhões de reais, podendo chegar ao teto de 11,16 bilhões de reais, conforme as projeções apresentadas pela diretoria do banco.

 

O objetivo central desse reforço de capital é garantir que o BRB mantenha níveis adequados de capitalização, além de proporcionar maior capacidade de expansão das operações e fortalecer a estrutura de capital da instituição financeira, com impacto direto nos indicadores patrimoniais e prudenciais.

 

Durante a assembleia, os acionistas conferiram ao Conselho de Administração do BRB a prerrogativa de adotar todas as medidas necessárias para a efetivação do aumento de capital.

 

Na mesma ocasião, foram confirmadas as nomeações de Nelson Antônio de Souza para a presidência do banco, e de Joaquim Lima de Oliveira e Sergio Iunes Brito para integrarem o Conselho de Administração.

 

Turbulência administrativa e financeira marca trajetória recente do banco

 

O Banco de Brasília, criado em 1964, atravessa um dos episódios mais críticos de sua história, após vir a público um esquema de fraudes financeiras que resultou em prejuízo bilionário relacionado à aquisição de créditos do Banco Master. O caso veio à tona em novembro de 2025, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, revelando as irregularidades e dando início a uma série de investigações.

 

Desde o início de março deste ano, Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, permanece detido, enquanto a apuração dos fatos resultou tanto no afastamento quanto na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, conhecido como PHC. As acusações que pesam sobre o ex-gestor envolvem crimes financeiros, corrupção, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

 

Na segunda-feira, o BRB comunicou a assinatura de um memorando de entendimento com a Quadra Capital, empresa especializada em gestão de fundos de investimento, com vistas à alienação dos ativos adquiridos do Banco Master. O compromisso firmado prevê um pagamento inicial, à vista, variando entre 3 bilhões e 4 bilhões de reais pelos créditos adquiridos do Master, além de valores adicionais que podem alcançar 11 bilhões ou 12 bilhões de reais, dependendo dos resultados obtidos com a cobrança desses títulos.

 

Os créditos objeto da negociação serão administrados por um fundo de investimento criado especificamente para a gestão e monetização desses ativos. O BRB e a Quadra Capital possuirão participação acionária nesse fundo, cuja estruturação e funcionamento ainda necessitam de aprovação do Banco Central.

 

De acordo com o economista e professor da Universidade de Brasília, César Bergo, o contrato firmado entre o banco público e a gestora só resultará no pagamento integral das parcelas se houver êxito na recuperação dos valores devidos pelos devedores do Master. Bergo enfatizou:

 

“Obviamente, o fundo de investimento a ser estruturado vai ter que performar. A Quadra só fará os pagamentos das parcelas restantes se o fundo obtiver retorno. Ou seja, se ela conseguir receber, dos devedores, ao menos parte considerável dos créditos que o BRB comprou do Master”.

 

Com vasta experiência no setor financeiro, Bergo avalia que, caso aprovado, o acordo estabelecido entre o BRB e a Quadra Capital pode proporcionar um alívio momentâneo para a crise institucional do banco, mas não representa uma solução definitiva para o quadro.

 

“É um negócio que possibilita ao BRB respirar um pouco, por aparelhos, mas serão necessárias outras ações. E, por isso, ele está pedindo [mais de 6 bilhões de reais] de empréstimo ao Fundo Garantidor de Créditos [FGC] e sinalizando a intenção de implementar uma administração austera, com uma possível mudança da estratégia de negócios”.

 

© Copyright 2025 - Macapa Notícias - Todos os direitos reservados